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PARAÍSO LEMBRADO Lya Luft

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    https://br.pinterest.com/pin/781444972816478386/                      Não havia ostentação na casa grande. Todo o luxo, o exagero todo ficavam no jardim que se estendia atrás. Gramados de veludo com a sombra das árvores crescendo no fim da tarde; no roseiral, onde aprendi a sensualidade dos perfumes e fazia besouros pretos e amarelos rastejarem na minha mão; a cerca de araçá e outras frutas vagamente proibidas: a mãe queria que a gente só comesse maçã argentina, sem saber da delícia das pitangas, ou das jabuticabas da árvore alta de onde um dia o jardineiro teve de me tirar com escada na mão.         O balanço, onde eu cantava histórias com letra e música inventadas na hora, certamente ainda balançaria ao peso das minhas memórias, se estivesse ali. Mais adiante, o lago, talvez um pequeno açude brotando incansável de algum olho-d’água submerso, onde pesquei tanto lambari com...